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segunda-feira, 2 de março de 2026
O acaso a meu favor - Página 86
domingo, 22 de fevereiro de 2026
O acaso a meu favor - Página 85
O acaso a meu favor - Página 84
Por Clara…
Ao tentar presumir o que Verônica queria fazer, não sei se entro em pânico ou em êxtase. Quando a vejo olhar para o relógio de pulso, ouço o barulho da porta se abrindo. Um meio sorriso travesso me escapa antes mesmo de eu perceber, e quando ela me dá as costas, entendo exatamente o que devo fazer. Não penso duas vezes antes de segui-la.
Enquanto caminho atrás dela, não consigo evitar analisá-la. A saia lápis desenha o corpo de um jeito que parece calculado, firme, seguro. A blusa social vermelha — um marsala elegante — contrasta com a postura confiante que ela carrega sem esforço algum. Verônica anda como quem sabe exatamente quem é. E isso me desarma.
Ela abre a porta lateral do mercado, olha rapidamente para os lados antes de entrar. Meu coração acelera com o simples gesto. Tudo ali parece clandestino demais para uma manhã comum.
Assim que entro, ela fecha a porta atrás de nós com cuidado excessivo. O silêncio do lugar vazio nos envolve. O mercado ainda dorme, mas meu corpo está completamente acordado.
— "A gente tem alguns minutos" — ela dizia, em tom baixo, quase sério demais para quem claramente está sentindo o mesmo que eu.
Cruzo os braços, tentando fingir normalidade.
— Você sempre irá fazer isso? — provoco. — Me sequestra cedo, me trazer para lugares vazios…
Ela ri de canto, aquele riso que não mostra tudo, mas promete.
— Só quando vale a pena.
Nos encaramos por tempo demais. O espaço entre nós diminui sem que nenhum passo seja dado. Sinto o cheiro dela de novo, aquele mesmo da noite passada, e meu estômago reage imediatamente.
— Verônica… — começo, sem saber exatamente o que dizer.
Ela inclina levemente a cabeça, atenta, como se cada palavra minha importasse mais do que deveria.
— Clara — responde, usando meu nome como se fosse algo delicado.
E ali, naquele mercado ainda fechado, com o medo de alguém chegar a qualquer segundo, percebo que não é só desejo.
É vontade de ficar.
Mesmo quando não é o lugar.
Mesmo quando não é a hora.
Verônica dá um passo à frente, finalmente rompendo o espaço invisível que nos separava. O ar parece mais denso quando ela se aproxima, como se o mundo lá fora tivesse sido suspenso só para aquele instante.
Sinto os dedos dela tocarem minha cintura com cautela primeiro, quase pedindo permissão. Mas o toque esquenta rápido, firme, decidido. Meu corpo responde antes que minha mente consiga formular qualquer argumento sensato. Seguro o tecido da blusa dela entre os dedos, sentindo a textura macia sob minhas mãos, a temperatura da pele que aquece por baixo.
Ela me olha como se estivesse confirmando algo que já sabia.
E então me beija.
Não é um beijo apressado. É um beijo que carrega um peso doce, um gosto de reencontro. Os lábios dela demoram nos meus como se estivessem reaprendendo o caminho. Há cheiro de perfume misturado ao café que provavelmente tomou antes de sair de casa. Há cheiro de saudade — aquele impossível de explicar, mas que eu reconheceria em qualquer lugar.
Ela desliza uma das mãos para minha nuca, os dedos se entrelaçando no meu cabelo com delicadeza possessiva. Meu coração dispara de um jeito quase irritante. Eu me aproximo mais, pressionando nossos corpos, sentindo a firmeza dela, a segurança que me envolve inteira.
Quando o beijo se aprofunda, solto um suspiro contra a boca dela. Verônica responde com um som baixo, quase um murmúrio satisfeito, como se estivesse esperando por aquilo desde sempre — ou, pelo menos, desde a última vez que estivemos assim.
Ela se afasta por um segundo, só o suficiente para encostar a testa na minha. Nossos narizes se tocam de leve. Os olhos dela estão mais escuros.
— Eu estava com saudade — ela admite, a voz rouca, sincera demais para alguém tão controlada.
Eu arqueio uma sobrancelha, fingindo indignação enquanto ainda tento recuperar o fôlego.
— Não acredito que estava com tantas saudades, nos vimos a poucas horas.
Ela ri baixinho, aquele riso que vibra no peito e passa direto para o meu. Os dedos dela apertam levemente minha cintura, como se estivesse me punindo pela provocação.
— Algumas horas são demais — responde, roçando o polegar na minha pele, desenhando círculos lentos que me fazem arrepiar. — Principalmente depois de ontem.
Sinto meu rosto esquentar, mas não recuo. Pelo contrário, puxo-a de volta pela gola da blusa, selando nossos lábios outra vez, dessa vez com menos paciência e mais verdade.
O beijo ganha intensidade, mas ainda carrega cuidado. Há pressa no toque, mas não há desespero. Só vontade. Vontade de ficar ali, mesmo com o risco, mesmo com o relógio correndo contra nós.
Quando finalmente nos afastamos, o silêncio do mercado parece diferente. Não é mais vazio. Está carregado de respirações descompassadas e olhares que dizem mais do que qualquer declaração poderia dizer.
Verônica encosta a testa na minha de novo, fechando os olhos por um instante.
E eu percebo que, se dependesse de mim, o mercado poderia abrir, o mundo poderia bater à porta.
Eu ainda escolheria ficar exatamente ali. Com ela.
O acaso a meu favor - Página 91
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