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domingo, 22 de fevereiro de 2026

O acaso a meu favor - Página 76

 Continuação por Clara...

O beijo que Verônica me dá é lento no começo — lento o suficiente para me deixar completamente à mercê dela.

Os lábios dela roçam nos meus quase sem tocar, como se estivessem me pedindo permissão que já têm, e só depois ela encaixa a boca na minha de um jeito que faz minhas pernas ameaçarem ceder. O ritmo é suave, mas carregado de intenção, como se ela quisesse me memorizar detalhe por detalhe.

Uma das mãos dela acompanha a curva da minha cintura, subindo pelas minhas costas num toque quente demais pra essa noite que está tão fria. Sinto cada dedo, cada linha da palma, cada centímetro da pele dela queimando a minha. A outra mão permanece na minha nuca, firme, me guiando — não para me controlar, mas como se estivesse cuidando para que eu não desmoronasse.

A respiração dela se mistura com a minha, quente, irregular, urgente de maneira contida.
É quase melhor que o próprio beijo.

Minha mão sobe pelo peito dela, sentindo o tecido da blusa e o calor que pulsa por baixo. Quando meus dedos tocam o pescoço dela, Verônica suspira entre meus lábios — um som grave, íntimo, que faz meu estômago virar um incêndio.

O beijo aprofunda.
A língua dela encontra a minha devagar, como se me explorasse, e meu corpo inteiro reage. Meus dedos se fecham no casaco dela, puxando-a mais perto, sem pensar. Só sentir.

Verônica sorri no meio do beijo — um sorriso curto, perigoso, satisfeito.


— Assim, Clara… — ela murmura contra minha boca, a voz rouca demais para eu aguentar. — Desse jeito mesmo.


Eu quase respondo, mas ela volta a me beijar, agora com mais firmeza, mais fome. O corpo dela pressiona o meu contra o carro com uma delicadeza que não esconde nada da força que ela tem. É como se ela estivesse segurando o mundo inteiro com a ponta dos dedos… e o mundo fosse eu.

O beijo fica tão profundo que quase dói parar para respirar.
E quando eu finalmente puxo o ar, ela encosta a boca no meu queixo, depois no meu pescoço, deixando beijos lentos, úmidos, quentes o suficiente para me fazer estremecer.


— Verônica… — digo num fio de voz que não parece meu.

Ela ergue o rosto, encontra meus olhos e sorri com aquele olhar que me desmonta inteira.

— Eu tô aqui, Clara.


Os dedos dela acariciam minha bochecha.


— E você não faz ideia do quanto eu queria isso.

E eu sei que é verdade.
Porque meu corpo inteiro ainda treme, e o dela também.

Próxima página - O acaso a meu favor ... 

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