Por Verônica...
Quando Clara diminui o ritmo do beijo, sinto na hora.
Não é rejeição.
É… delicadeza.
É o corpo dela tentando acompanhar o que está acontecendo — e o meu tentando não ultrapassar nenhum limite.
Eu afrouxo o toque na mesma hora. Tento puxar o ar que ela tirou de mim enquanto ainda mantenho minhas mãos no rosto dela, sem pressionar. Só segurando. Só estando ali.
Os olhos dela, quando se abrem, vêm carregados de algo que me desarma: não medo, não dúvida… mas um tipo de vulnerabilidade que me faz querer cuidar dela mais do que qualquer outra coisa.
— Ei… — digo baixo, aproximando meu rosto do dela sem voltar ao beijo. — Respira comigo.
Ela faz isso. Devagar. Quente. Tremendo.
Meu polegar passa na bochecha dela sozinho, como se minhas mãos tivessem mente própria.
O que me desespera é que ela não recua.
Pelo contrário — ela se inclina um pouco, buscando meu toque.
Meu corpo inteiro responde, mas me obrigo a ficar firme.
— Se for demais, me fala — digo, não como aviso, mas como promessa.
Ela fecha os olhos por um instante, e quando abre… eu juro que vejo um brilho novo ali. Algo que não tinha antes. Algo que me puxa.
— Não me tira de perto de você agora — ela murmura. Não é um pedido. É quase um sussurro arfado.
A respiração me falha.
Aproximei a boca dela sem encostar, sentindo a respiração quente dela roçar na minha.
— Eu não conseguiria nem se tentasse.
Desço uma das mãos para a cintura dela, segurando com firmeza, mas com um cuidado que nunca tive com ninguém. Ela corresponde, apoiando as mãos no meu peito, e mesmo esse toque leve me faz perder o chão.
Clara ergue o rosto um pouco, como se estivesse me estudando — como se quisesse ver o que está acontecendo comigo. E ela vê.
Ela vê tudo.
— Você tá… diferente — ela diz com um riso fraco, quase sem ar.
Eu sorrio de canto, mas é um sorriso quebrado, tão sincero que chega a doer.
— A culpa é sua.
Minha voz sai rouca, mais honesta do que eu pretendia.
— Eu não fico assim com ninguém.
Vejo o impacto dessas palavras nela — não medo, mas surpresa.
Boa surpresa.
Surpresa quente.
A mão dela escorrega do meu peito para o meu pescoço, lenta.
E isso…
Isso me destrói.
Aproximo minha boca do canto da dela, sem beijar, apenas tocando de leve a pele sensível ali. Ela prende a respiração. Os dedos dela apertam meu pescoço sem força, mas com vontade.
— Se soubesse o que você faz comigo… — murmuro contra o canto da boca dela, sentindo o corpo dela tremer. — Acho que teria me beijado antes.
Ela solta um riso abafado, nervoso, delicioso.
Eu seguro seu rosto pelas laterais, aproximando-a devagar, como se estivesse puxando o mundo inteiro para os meus braços.
— Posso te beijar de novo? — pergunto dessa vez, a voz baixa, quente, pedindo e ao mesmo tempo não pedindo nada.
Ela não responde com palavras.
Ela inclina o queixo.
Encosta a ponta dos lábios nos meus.
E suspira.
Esse é o “sim”.
E quando eu finalmente a beijo outra vez — devagar, profundo, com toda a calma que não tenho — sinto Clara derreter nas minhas mãos.
E eu também.
Porque agora não tem mais recuo.
Só avanço.
Dela.
E meu.
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